Endometriose e SOP: Como Tratar e Engravidar
Endometriose e SOP ao Mesmo Tempo: Como Tratar as Duas Condições e Engravidar?
Receber o diagnóstico de endometriose ou de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) já costuma gerar muitas dúvidas, especialmente para mulheres que desejam engravidar. Quando as duas condições aparecem ao mesmo tempo, é comum surgir a preocupação de que a gravidez será impossível. Felizmente, essa não é a realidade para a maioria das pacientes.
Embora ambas possam comprometer a fertilidade por mecanismos diferentes, a medicina reprodutiva evoluiu significativamente nas últimas décadas. Hoje, com uma investigação detalhada e um tratamento individualizado, muitas mulheres conseguem engravidar naturalmente ou com o auxílio das técnicas de reprodução assistida.
A endometriose e a SOP podem coexistir, quais são os impactos na fertilidade e quais estratégias de tratamento oferecem as melhores chances de uma gestação.
É possível ter endometriose e Síndrome dos Ovários Policísticos ao mesmo tempo?
Sim. Apesar de muitas pessoas acreditarem que essas doenças sejam incompatíveis entre si, uma mesma mulher pode apresentar tanto endometriose quanto Síndrome dos Ovários Policísticos.
As duas condições possuem origens e características bastante diferentes.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, podendo acometer ovários, tubas uterinas, intestino, bexiga e outras estruturas da pelve.
Já a SOP é uma condição hormonal e metabólica caracterizada principalmente por alterações na ovulação, aumento dos hormônios androgênicos e aspecto policístico dos ovários em parte das pacientes.
Como são doenças distintas, uma não impede o surgimento da outra. Quando coexistem, cada uma pode contribuir de maneira diferente para a dificuldade de engravidar, tornando ainda mais importante uma avaliação realizada por um especialista em reprodução humana.
Qual é a diferença entre endometriose e SOP?
Apesar de ambas influenciarem a fertilidade feminina, elas atuam de formas completamente diferentes.
Na endometriose, o principal problema está relacionado ao processo inflamatório contínuo dentro da cavidade pélvica. Essa inflamação pode favorecer o surgimento de aderências, alterar a anatomia das tubas uterinas, comprometer os ovários e dificultar o encontro entre o óvulo e o espermatozoide.
Além disso, dependendo da localização e da extensão da doença, a endometriose pode prejudicar a qualidade do ambiente reprodutivo e reduzir as chances de implantação do embrião.
Na Síndrome dos Ovários Policísticos, o principal impacto costuma ocorrer antes mesmo da fecundação. Muitas pacientes apresentam ovulações pouco frequentes ou até ausência de ovulação, o que reduz significativamente as oportunidades naturais de gravidez ao longo do ano.
Também é comum que mulheres com SOP apresentem resistência à insulina, excesso de hormônios masculinos e alterações metabólicas que podem influenciar tanto a fertilidade quanto a saúde durante a gestação.
Como as duas doenças podem afetar a fertilidade?
Quando endometriose e SOP estão presentes simultaneamente, os fatores que dificultam a gravidez podem se somar.
Enquanto a SOP reduz a frequência das ovulações, a endometriose pode comprometer a função das tubas uterinas, provocar aderências pélvicas, afetar a reserva ovariana em alguns casos e alterar o ambiente onde ocorre a fecundação.
Isso não significa que todas as mulheres com as duas doenças terão infertilidade. Muitas conseguem engravidar espontaneamente, especialmente quando apresentam boa reserva ovariana, tubas pérvias e ovulações ocasionais.
Entretanto, quando a gravidez demora a acontecer, é fundamental investigar todos os fatores envolvidos para definir a estratégia mais adequada.
Quais sintomas podem indicar a presença das duas condições?
Como as manifestações clínicas podem se sobrepor, algumas pacientes convivem durante anos com sintomas sem receber um diagnóstico completo.
Os sinais mais comuns incluem:
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cólicas menstruais intensas;
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dor pélvica crônica;
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dor durante as relações sexuais;
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irregularidade menstrual;
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dificuldade para engravidar;
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aumento de pelos corporais;
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acne persistente;
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alterações intestinais durante a menstruação;
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sensação de inchaço abdominal.
Nem todas as mulheres apresentam todos esses sintomas. Algumas possuem endometriose profunda com pouca dor, enquanto outras apresentam SOP mesmo mantendo ciclos menstruais relativamente regulares.
Por isso, o diagnóstico nunca deve ser baseado apenas nos sintomas.
Como é feito o diagnóstico?
A investigação deve ser completa e personalizada.
Durante a consulta, a médica avalia cuidadosamente o histórico clínico, o padrão menstrual, sintomas relacionados à dor, tempo de tentativa para engravidar e antecedentes familiares.
Além da consulta, podem ser solicitados exames como ultrassonografia transvaginal especializada, dosagens hormonais, avaliação da reserva ovariana por meio da contagem de folículos antrais e do hormônio anti-Mülleriano (AMH), além de exames para avaliar a permeabilidade das tubas uterinas e investigar outros fatores de infertilidade.
Quando existe parceiro, a investigação da fertilidade masculina também faz parte da avaliação do casal, já que aproximadamente metade dos casos de infertilidade apresenta algum componente masculino associado.
Somente após essa análise global é possível elaborar um plano terapêutico realmente individualizado.
Como é o tratamento quando a paciente apresenta endometriose e SOP?
O tratamento depende principalmente do objetivo da paciente.
Quando o foco é aliviar sintomas, controlar a dor e melhorar a qualidade de vida, algumas estratégias podem ser diferentes daquelas utilizadas por mulheres que desejam engravidar imediatamente.
Já quando existe desejo reprodutivo, todo o planejamento é direcionado para aumentar as chances de gravidez no menor tempo possível, respeitando fatores como idade, reserva ovariana, gravidade da endometriose e características da SOP.
Cada mulher possui uma combinação única desses fatores, motivo pelo qual não existe um tratamento único para todas as pacientes.
Mudanças no estilo de vida também fazem diferença
Em mulheres com SOP, principalmente quando existe resistência à insulina, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do peso podem favorecer uma melhora da ovulação e do metabolismo.
Embora essas medidas não curem a doença, elas fazem parte do tratamento e podem potencializar os resultados das terapias médicas.
Já nas pacientes com endometriose, hábitos saudáveis também podem contribuir para o controle da inflamação e para uma melhor qualidade de vida, sempre associados ao acompanhamento especializado.
Quando é necessário induzir a ovulação?
Como muitas mulheres com SOP não ovulam regularmente, a indução da ovulação pode ser indicada para aumentar as oportunidades de gravidez.
Durante esse tratamento, medicamentos específicos estimulam o desenvolvimento dos folículos ovarianos, permitindo que a ovulação ocorra de maneira controlada.
O acompanhamento é realizado por ultrassonografia seriada, permitindo identificar o melhor momento para a tentativa de gravidez ou para procedimentos de reprodução assistida, quando indicados.
A decisão sobre utilizar esse tratamento depende da avaliação completa de cada caso.
A cirurgia para endometriose é sempre necessária?
Não.
Atualmente sabe-se que nem toda paciente com endometriose deve ser submetida à cirurgia antes de tentar engravidar.
Em algumas situações, especialmente quando existem dor intensa, comprometimento de órgãos ou determinados tipos de endometriose profunda, a cirurgia pode trazer benefícios.
Entretanto, em outras pacientes, principalmente quando o fator limitante é o tempo reprodutivo ou a redução da reserva ovariana, partir diretamente para tratamentos de reprodução assistida pode representar a estratégia mais eficiente.
Essa decisão deve ser tomada individualmente após avaliação especializada.
Quando a Fertilização in Vitro pode ser indicada?
A Fertilização in Vitro (FIV) representa um dos tratamentos mais eficazes para mulheres que apresentam infertilidade relacionada à endometriose, à SOP ou à associação das duas condições.
Na SOP, a FIV permite controlar cuidadosamente o estímulo ovariano e reduzir riscos como a síndrome de hiperestimulação ovariana, utilizando protocolos individualizados.
Na endometriose, a técnica pode contornar fatores relacionados às aderências pélvicas, alterações tubárias e dificuldades no encontro entre óvulo e espermatozoide.
Isso não significa que todas as mulheres precisarão realizar Fertilização in Vitro. Muitas conseguem engravidar naturalmente ou com tratamentos menos complexos.
A indicação depende da idade, tempo de infertilidade, reserva ovariana, gravidade das doenças e avaliação global do casal.
É possível engravidar naturalmente?
Sim.
Mesmo quando endometriose e SOP coexistem, muitas mulheres conseguem uma gestação espontânea.
As chances são maiores quando existe boa reserva ovariana, ovulações presentes, tubas preservadas e ausência de fatores masculinos importantes.
Por outro lado, quanto maior a idade da mulher e maior o tempo de tentativa sem sucesso, mais importante se torna procurar avaliação especializada precocemente.
O tratamento iniciado no momento adequado pode evitar perda de tempo reprodutivo e aumentar significativamente as possibilidades de gravidez.
Quando procurar um especialista em reprodução humana?
A avaliação especializada é recomendada para mulheres que apresentam diagnóstico de endometriose, SOP ou suspeita dessas doenças e desejam engravidar.
Também é indicado procurar ajuda quando a gestação não acontece após um ano de tentativas em mulheres com menos de 35 anos ou após seis meses em mulheres acima dessa idade.
Quanto mais cedo a investigação é realizada, maiores costumam ser as possibilidades de identificar fatores tratáveis e definir a estratégia mais eficiente para alcançar uma gravidez.
Atendimento especializado em fertilidade com a Dra. Ludmila Bercaire
A Dra. Ludmila Bercaire é ginecologista, obstetra e especialista em Reprodução Humana, com ampla experiência na investigação e no tratamento da infertilidade feminina, incluindo casos complexos de endometriose e Síndrome dos Ovários Policísticos. Cada paciente é avaliada de forma individualizada, considerando sua história clínica, idade, reserva ovariana, objetivos reprodutivos e características específicas de cada doença, sempre com base nas evidências científicas mais atuais.
Oferece atendimento presencial na cidade de São Paulo – SP e também por telemedicina para pacientes de outras cidades do Brasil e do exterior. Fluente em inglês e francês, proporciona um atendimento acolhedor, respeitoso e personalizado, acompanhando mulheres, casais, pessoas solteiras e famílias LGBTQIAP+ em todas as etapas do planejamento reprodutivo.
Se você recebeu o diagnóstico de endometriose, SOP ou está enfrentando dificuldades para engravidar, agende uma consulta e receba uma avaliação especializada para conhecer as opções de tratamento mais indicadas para o seu caso.
Escrito por Dra. Ludmila Bercaire
Especialista em Reprodução Humana SP
A Dra. Ludmila Bercaire é ginecologista, obstetra especialista em fertilidade. Possui mais de uma década de experiência em Reprodução Humana e Ginecologia e é Sócia Fundadora da Begin Clinic Medicina Reprodutiva. Formada pela Faculdade de Medicina UFRJ e com Mestrado pela Faculdade de Medicina da UNESP, hoje integra o corpo clínico dos melhores hospitais de São Paulo, como o Albert Einstein, e atua nos laboratórios de reprodução assistida mais modernos do país.
CRM: 145773-SP
RQE: 49731 (GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA)
RQE: 497311 (REPRODUÇÃO ASSISTIDA)
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6671796676034947
Para agendar uma consulta com a Dra. Ludmila Bercaire, entre em contato através do nosso WhatsApp.
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