FIV Acima dos 40: Resultados e Expectativas
FIV em mulheres acima de 40 anos: o que esperar dos resultados
O que realmente muda na fertilidade feminina após os 40 anos, como a idade impacta o desempenho da Fertilização in Vitro (FIV) e quais são as expectativas reais para mulheres que desejam engravidar nessa fase da vida. Em um momento tão sensível, informação clara, acolhedora e baseada em evidências é essencial para ajudar mulheres e casais a tomarem decisões conscientes sobre seu planejamento reprodutivo.
Como a idade influencia a fertilidade feminina
Todas as mulheres nascem com um número finito de óvulos, que diminui progressivamente ao longo da vida. A partir dos 35 anos, essa redução se torna mais acelerada. Após os 40, observa-se uma queda ainda mais significativa, tanto na quantidade quanto na qualidade dos óvulos. Esses dois fatores conhecidos como reserva ovariana e qualidade oocitária são determinantes para as chances de sucesso de qualquer tratamento de fertilidade, inclusive da FIV.
Os protocolos e estudos científicos reunidos pelas principais sociedades médicas, incluindo diretrizes presentes nos documentos oficiais consultados , reforçam que a idade da mulher é o principal fator prognóstico para as taxas de sucesso da FIV. Isso significa que, mesmo com toda a tecnologia disponível, os óvulos acima dos 40 anos apresentam maior risco de alterações cromossômicas, o que reduz as chances de gravidez evolutiva.
Taxas reais de sucesso da FIV após os 40 anos
Os dados científicos sobre FIV em mulheres acima de 40 anos são amplamente estudados e ajudam a compreender as expectativas reais para essa fase da vida.
Segundo o protocolo analisado :
-
Até 35 anos: taxas cumulativas podem chegar a 53,9% após dois ciclos.
-
36 a 39 anos: até 51,2% após dois ciclos.
-
A partir dos 40 anos: a chance por ciclo reduz de forma relevante.
-
44–45 anos: taxa de nascidos vivos em FIV aproxima-se de 1,6%.
-
46 anos: 0,6%.
-
47 anos ou mais: 0%.
Esses números mostram que a idade tem impacto direto nos resultados, mas é fundamental lembrar que estatísticas não substituem uma avaliação individualizada. Há mulheres com boa resposta ovariana acima dos 40 anos, e muitas conseguem gravidez espontânea ou por FIV após avaliação e acompanhamento adequados.
A aneuploidia embrionária e seu impacto nos resultados
Um dos principais motivos para a queda das taxas de sucesso após os 40 anos é o aumento da aneuploidia, que ocorre quando o embrião possui alterações no número de cromossomos. Essa condição diminui a chance de implantação e aumenta o risco de aborto espontâneo.
Dados do protocolo mostram que a taxa de aneuploidia aumenta progressivamente com a idade:
-
36 anos: 35% dos embriões
-
40 anos: 60%
-
42 anos: 75%
-
43 anos: 85%
-
44+ anos: ≥90%
Quanto maior a taxa de aneuploidia, menor a probabilidade de a FIV resultar em um nascimento saudável. Por isso, em alguns casos, a análise genética embrionária (PGT-A) pode ser recomendada, ainda que não aumente a produção de óvulos, mas ajude a selecionar embriões com maior potencial.
Reserva ovariana após os 40: o que os exames mostram
Para avaliar as chances de resposta ao tratamento, são realizados exames como:
-
Hormônio Anti-Mülleriano (AMH) — indica o estoque de óvulos.
-
Contagem de Folículos Antrais (CFA) — observada no ultrassom transvaginal.
Estudos citados no protocolo apontam que a contagem de folículos antrais, especialmente quando abaixo de 5,5, é o parâmetro com melhor capacidade de prever baixa resposta ao estímulo ovariano. É um exame simples e realizado durante a consulta com especialista em reprodução humana.
É importante reforçar que um AMH baixo por si só não impede uma gravidez, mas ajuda na definição do melhor plano terapêutico.
IIU x FIV após os 40 anos: qual estratégia oferece melhores resultados?
O ensaio clínico FORT-T, citado no protocolo oficial, mostrou que mulheres entre 38 e 42 anos têm melhores taxas de gravidez ao iniciar o tratamento diretamente pela FIV, quando comparadas à inseminação intrauterina (IIU).
-
FIV por ciclo: 24,7% de gravidez clínica
-
IIU por ciclo: 7,3%
Por isso, a partir dos 38 anos, a recomendação mais segura e eficaz tende a ser o início pela FIV, evitando perda de tempo reprodutivo.
O papel do peso corporal nos resultados da FIV
Outro ponto relevante destacado nas diretrizes é o impacto do IMC nos resultados dos tratamentos de fertilidade. Mulheres com IMC ≥ 30 apresentam redução de 15% na taxa de nascidos vivos em comparação às mulheres com IMC considerado normal. A abordagem, nesse contexto, deve ser acolhedora e individualizada, priorizando mudanças possíveis e sustentáveis.
PGT-A: quando considerar o teste genético?
Em mulheres acima dos 40 anos, o PGT-A pode ser uma ferramenta útil para selecionar embriões cromossomicamente normais, reduzindo o risco de aborto e aumentando a chance de implantação. Entretanto, o teste não aumenta o número de embriões disponíveis e não reverte o impacto da idade sobre o óvulo. Sua indicação deve ser discutida caso a caso.
Quantos ciclos de FIV podem ser necessários após os 40?
Como a reserva ovariana costuma ser menor e os embriões têm maior chance de aneuploidia, é comum que mulheres acima dos 40 anos precisem de mais de um ciclo de estimulação para obter embriões euploides. O planejamento pode incluir:
-
protocolos individualizados de estimulação
-
suplementação orientada
-
coleta seriada quando indicado
-
otimização do período pré-tratamento
Cada estratégia é definida após avaliação detalhada.
Quando considerar óvulos doados
Em mulheres acima dos 43–44 anos, as chances de gravidez com óvulos próprios tornam-se muito baixas chegando a zero a partir dos 47 anos, conforme o protocolo. A doação de óvulos é uma alternativa segura e com excelentes taxas de sucesso, oferecendo a possibilidade real de gestação em idades avançadas. É uma decisão delicada, que deve ser tomada com respeito ao tempo emocional da mulher e acompanhada pela equipe especialista.
O cuidado individualizado no acompanhamento após os 40
A jornada reprodutiva após os 40 anos é profundamente pessoal. Cada mulher traz seu histórico, valores, expectativas e sonhos. Por isso, a avaliação individualizada com especialista é essencial para definir a melhor estratégia, esclarecer dúvidas e oferecer segurança emocional nessa fase.
Agende com um especialista
A Dra. Ludmila Bercaire é ginecologista e especialista em fertilidade, com mais de uma década de experiência em Reprodução Humana. Atua presencialmente em São Paulo – SP e também oferece atendimento por telemedicina para pacientes de outras cidades do Brasil e do exterior. É fluente em inglês e francês, acolhe pessoas de diversas nacionalidades e tem como marca de seu trabalho uma abordagem empática, humanizada e baseada em evidências científicas atualizadas.
Se você tem mais de 40 anos e deseja compreender suas reais chances de engravidar, a Dra. Ludmila está pronta para ajudá-la com sensibilidade, cuidado e planejamento personalizado.
Escrito por Dra. Ludmila Bercaire
Especialista em Reprodução Humana SP
A Dra. Ludmila Bercaire é ginecologista, obstetra especialista em fertilidade. Possui mais de uma década de experiência em Reprodução Humana e Ginecologia e é Sócia Fundadora da Begin Clinic Medicina Reprodutiva. Formada pela Faculdade de Medicina UFRJ e com Mestrado pela Faculdade de Medicina da UNESP, hoje integra o corpo clínico dos melhores hospitais de São Paulo, como o Albert Einstein, e atua nos laboratórios de reprodução assistida mais modernos do país.
CRM: 145773-SP
RQE: 49731 (GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA)
RQE: 497311 (REPRODUÇÃO ASSISTIDA)
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6671796676034947
Para agendar uma consulta com a Dra. Ludmila Bercaire, entre em contato através do nosso WhatsApp.
Comentários0
Seja o primeiro a comentar!
Pergunte para a Dra. Ludmila