Endometrite Crônica e Falhas na FIV
Endometrite Crônica e Falhas na FIV: Entenda
A Dra. Ludmila Bercaire vai explicar sobre endometrite crônica e falhas na FIV, um tema cada vez mais relevante na medicina reprodutiva moderna e que pode estar por trás de muitos casos de falha de implantação embrionária e repetidas tentativas frustradas de fertilização in vitro.
Quando um casal enfrenta uma ou mais falhas na FIV, especialmente após a transferência de embriões de boa qualidade, é natural surgir a pergunta: “Existe algo que ainda não foi investigado?”. Entre as possíveis causas ocultas, a endometrite crônica tem recebido atenção crescente por parte dos especialistas em reprodução humana.
O que é endometrite crônica
A endometrite crônica é uma inflamação persistente do endométrio, que é o tecido que reveste internamente o útero e que precisa estar saudável e receptivo para que o embrião consiga se implantar. Diferentemente da endometrite aguda, que costuma causar dor pélvica, febre e secreção, a forma crônica geralmente é silenciosa. Muitas mulheres não apresentam sintomas evidentes, o que faz com que essa condição seja considerada uma possível causa oculta de infertilidade.
Em termos simples, trata-se de uma inflamação de baixo grau que altera o ambiente uterino. O endométrio deixa de oferecer as condições ideais para que ocorra a implantação embrionária, mesmo quando o embrião apresenta excelente qualidade genética e morfológica.
Endometrite crônica e falha de implantação na FIV
A falha de implantação é um dos cenários mais desafiadores na reprodução assistida. Ela ocorre quando o embrião é transferido corretamente para o útero, mas não consegue se fixar e evoluir para uma gestação.
Para que a gravidez aconteça, é necessária uma sincronização delicada entre embrião e endométrio, chamada de janela de implantação. Durante esse período específico do ciclo menstrual, o endométrio se torna receptivo, expressando moléculas e sinais que permitem a adesão e a invasão controlada do embrião.
Na presença de inflamação do endométrio, como ocorre na endometrite crônica, essa comunicação pode ser prejudicada. Alterações imunológicas, aumento de células inflamatórias e desequilíbrio da microbiota uterina podem interferir nesse processo. Por isso, a endometrite crônica na infertilidade vem sendo amplamente estudada, especialmente em casos de falhas repetidas de FIV e também em situações de perda de repetição sem causa aparente.
Quando suspeitar de endometrite crônica
Nem toda paciente com infertilidade precisa investigar essa condição. No entanto, a suspeita aumenta em casos de falhas repetidas na fertilização in vitro, principalmente quando embriões considerados de boa qualidade não resultam em gravidez. Também deve ser considerada em mulheres com histórico de perdas recorrentes, alterações endometriais em exames de imagem ou antecedentes de infecções uterinas e procedimentos intrauterinos.
A avaliação precisa ser criteriosa e individualizada. A investigação excessiva e indiscriminada pode gerar ansiedade e tratamentos desnecessários. Por isso, a condução deve ser feita por ginecologista especialista em fertilidade, com experiência em casos complexos.
Como é feito o diagnóstico da endometrite crônica
O diagnóstico da endometrite crônica não é feito apenas por ultrassonografia. O método considerado padrão é a biópsia endometrial, com análise histológica e pesquisa específica de plasmócitos, células inflamatórias que não costumam estar presentes em grande quantidade no endométrio saudável.
A identificação dessas células é feita por meio de um marcador chamado CD138, utilizado na análise imunohistoquímica. A presença aumentada de plasmócitos no endométrio confirma o diagnóstico de inflamação endometrial crônica.
A histeroscopia diagnóstica também pode auxiliar, permitindo visualização direta da cavidade uterina. Alguns achados, como micropólipos, áreas de hiperemia ou aspecto irregular do endométrio, podem levantar suspeita, mas a confirmação é feita pela biópsia.
É fundamental que o exame seja realizado no momento adequado do ciclo menstrual, respeitando a fase do preparo endometrial, para que o resultado seja confiável.
Tratamento da endometrite crônica antes da FIV
Uma vez confirmado o diagnóstico, o tratamento geralmente é realizado com antibiótico para endometrite crônica, administrado por período determinado, conforme protocolo individualizado. Em alguns casos, pode ser necessária nova avaliação após o tratamento para confirmar a resolução da inflamação antes de realizar nova transferência embrionária.
Estudos mostram que o tratamento adequado pode melhorar as taxas de implantação embrionária e aumentar as chances de sucesso na FIV em pacientes com diagnóstico confirmado.
É importante reforçar que nem toda falha de FIV é causada por endometrite crônica. A infertilidade é multifatorial e envolve fatores embrionários, genéticos, hormonais, anatômicos e imunológicos. A investigação das falhas na FIV deve ser completa, estratégica e baseada em evidências científicas atualizadas.
Impacto emocional das falhas repetidas
Enfrentar falhas sucessivas na fertilização in vitro é emocionalmente desgastante. A cada tentativa frustrada, surgem dúvidas, medo e insegurança. Muitas mulheres relatam sensação de culpa ou a impressão de que “o corpo está falhando”.
É essencial compreender que a falha de implantação não significa falta de esforço ou erro pessoal. Em muitos casos, trata-se de um fator biológico silencioso, como a endometrite crônica, que pode ser diagnosticado e tratado adequadamente.
Buscar respostas é um passo importante não apenas do ponto de vista médico, mas também emocional. Ter um plano de investigação claro e personalizado devolve segurança e direcionamento ao casal.
A Dra. Ludmila Bercaire é ginecologista especialista em fertilidade, com mais de uma década de experiência em Reprodução Humana e ampla atuação na investigação de falhas repetidas de FIV, falha de implantação e causas complexas de infertilidade. Com formação sólida, atuação acadêmica e prática baseada em diretrizes científicas internacionais, conduz cada caso de forma individualizada, criteriosa e humanizada.
Seu atendimento é presencial em São Paulo – SP, com estrutura completa para investigação e tratamentos de reprodução assistida, e também por telemedicina para pacientes de outras cidades do Brasil e do exterior. Fluente em inglês e francês, atende diferentes configurações familiares com respeito, escuta ativa e decisões compartilhadas.
Se você já passou por uma ou mais falhas na FIV e deseja uma investigação aprofundada da possível endometrite crônica ou de outras causas de infertilidade, agende uma consulta. Um diagnóstico preciso pode ser o passo decisivo para transformar tentativas frustradas em uma nova chance real de gravidez.
Escrito por Dra. Ludmila Bercaire
Especialista em Reprodução Humana SP
A Dra. Ludmila Bercaire é ginecologista, obstetra especialista em fertilidade. Possui mais de uma década de experiência em Reprodução Humana e Ginecologia e é Sócia Fundadora da Begin Clinic Medicina Reprodutiva. Formada pela Faculdade de Medicina UFRJ e com Mestrado pela Faculdade de Medicina da UNESP, hoje integra o corpo clínico dos melhores hospitais de São Paulo, como o Albert Einstein, e atua nos laboratórios de reprodução assistida mais modernos do país.
CRM: 145773-SP
RQE: 49731 (GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA)
RQE: 497311 (REPRODUÇÃO ASSISTIDA)
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6671796676034947
Para agendar uma consulta com a Dra. Ludmila Bercaire, entre em contato através do nosso WhatsApp.
Comentários0
Seja o primeiro a comentar!
Pergunte para a Dra. Ludmila