Embriões Mosaico: Transferir Ou Não?
Embriões mosaico: transferir ou não?
Um dos temas mais delicados da fertilização in vitro (FIV) moderna: embriões mosaico: transferir ou não?
Receber o resultado de um teste genético pré-implantacional (PGT-A) indicando a presença de mosaicismo embrionário costuma gerar medo, frustração e muitas dúvidas. Afinal, se o objetivo do exame é selecionar embriões cromossomicamente normais, o que significa exatamente um embrião mosaico? Ele pode gerar uma gestação saudável? A transferência é segura?
A resposta exige profundidade técnica, interpretação cuidadosa do laudo e, principalmente, uma abordagem individualizada.
O que são embriões mosaico?
Um embrião mosaico é aquele que apresenta duas ou mais linhagens celulares com composições cromossômicas diferentes. Em termos simples, parte das células possui número correto de cromossomos (euploides) e outra parte apresenta alguma aneuploidia (alteração no número de cromossomos).
Esse fenômeno, chamado de mosaicismo embrionário, ocorre durante as primeiras divisões celulares do embrião. Erros mitóticos podem acontecer naturalmente nesse período inicial do desenvolvimento embrionário. Em alguns casos, o próprio embrião pode “corrigir” essas alterações ao longo do desenvolvimento, eliminando ou restringindo células anormais.
Com o avanço da genética reprodutiva e da tecnologia de biópsia embrionária no estágio de blastocisto, tornou-se possível identificar essas alterações por meio do PGT-A. Antes dessa tecnologia, muitos embriões mosaico eram transferidos sem que essa informação estivesse disponível, e diversos bebês saudáveis nasceram nessas circunstâncias.
Como o PGT-A detecta o mosaicismo?
O PGT-A (teste genético pré-implantacional para aneuploidias) é realizado durante um ciclo de FIV, geralmente no quinto ou sexto dia de desenvolvimento embrionário, quando o embrião atinge o estágio de blastocisto. Nessa fase, algumas células do trofectoderma, estrutura que dará origem à placenta, são cuidadosamente biopsiadas.
É fundamental entender que o exame analisa uma pequena amostra celular, e não o embrião inteiro. Portanto, o resultado representa uma estimativa baseada naquele fragmento coletado.
Quando o laboratório identifica uma mistura de células normais e alteradas, o embrião é classificado como mosaico. O laudo pode ainda indicar o grau de mosaicismo, geralmente descrito como baixo ou alto percentual de células alteradas.
Essa classificação é relevante, pois o prognóstico pode variar conforme o tipo e a proporção das alterações detectadas.
Embriões mosaico têm chance de gravidez?
Sim, embriões mosaico podem resultar em gravidez e nascimento de bebês saudáveis. Essa é uma informação extremamente importante.
Estudos científicos recentes mostram que a transferência de embrião mosaico apresenta taxas de implantação menores quando comparadas aos embriões euploides, mas superiores às de embriões claramente aneuploides. Ou seja, não se trata de um embrião inviável, mas de um embrião com potencial reduzido.
Além disso, a literatura demonstra que muitos nascimentos após transferência de embriões mosaico resultaram em recém-nascidos cromossomicamente normais. Isso pode ocorrer porque:
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As células alteradas podem estar restritas à placenta
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O embrião pode apresentar capacidade de autorregulação
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O resultado do PGT-A pode refletir apenas a amostra biopsiada
Ainda assim, as taxas de falha de implantação e aborto espontâneo são mais elevadas quando comparadas a embriões euploides. Por isso, a decisão deve ser tomada com clareza e responsabilidade.
O tipo de mosaicismo influencia na decisão?
Sim. Nem todos os casos de mosaicismo embrionário são iguais.
Alguns cromossomos apresentam melhor prognóstico quando alterados em baixo grau. Outros, dependendo da alteração, podem estar associados a maior risco de desfechos desfavoráveis. Além disso, o percentual de células alteradas também influencia na tomada de decisão.
Por isso, a interpretação do laudo de PGT-A não deve ser feita isoladamente. É necessário correlacionar o resultado com a idade da paciente, número de embriões disponíveis, histórico reprodutivo e qualidade embrionária.
A análise é complexa e exige conhecimento profundo em reprodução humana e genética embrionária.
Quando considerar a transferência de embrião mosaico?
A pergunta “embriões mosaico: transferir ou não?” não possui resposta única. Em geral, a transferência pode ser considerada quando não há embriões euploides disponíveis e o casal compreende os riscos envolvidos.
Em pacientes com idade materna avançada ou baixa reserva ovariana, muitas vezes a obtenção de novos embriões euploides pode ser difícil. Nesses cenários, a transferência de embrião mosaico pode representar uma possibilidade real de gestação.
As principais sociedades internacionais de medicina reprodutiva reconhecem que a transferência pode ser realizada, desde que haja aconselhamento detalhado e acompanhamento pré-natal cuidadoso.
Existe risco para o bebê?
Essa é uma das maiores angústias dos pacientes.
A maioria dos relatos publicados até o momento demonstra que bebês nascidos após transferência de embrião mosaico FIV apresentaram cariótipo normal. No entanto, há risco teórico aumentado de alterações placentárias, restrição de crescimento fetal ou anomalias cromossômicas.
Por isso, recomenda-se acompanhamento gestacional rigoroso, incluindo exames como teste pré-natal não invasivo e, quando indicado, diagnóstico confirmatório invasivo.
É essencial que o casal compreenda que medicina trabalha com probabilidades. Não se trata de garantia de risco elevado, mas de risco potencial que deve ser discutido com transparência.
A importância do aconselhamento individualizado
O impacto emocional de receber um laudo de embrião mosaico pode ser devastador. Muitos casais sentem que perderam a chance de uma gravidez saudável.
Entretanto, a decisão não deve ser tomada com base apenas no medo. A avaliação precisa considerar contexto clínico completo. Um mesmo resultado laboratorial pode ter implicações diferentes dependendo da idade, histórico de tentativas anteriores e número de embriões disponíveis.
A fertilização in vitro moderna é cada vez mais personalizada. O papel do especialista é interpretar dados complexos, traduzir a informação técnica em linguagem clara e ajudar o casal a decidir de forma consciente.
A Dra. Ludmila Bercaire é ginecologista especialista em fertilidade, com ampla experiência em FIV, PGT-A, genética reprodutiva e manejo de casos complexos como mosaicismo embrionário. Atua com base em evidências científicas atualizadas e decisões compartilhadas, sempre respeitando o momento emocional do casal.
Realiza atendimento presencial em São Paulo – SP, na Begin Clinic, e também por telemedicina para pacientes de outras cidades do Brasil e do exterior. É fluente em inglês e francês, oferecendo acompanhamento acolhedor, técnico e individualizado em todas as etapas da jornada reprodutiva.
Se você recebeu um diagnóstico de embriões mosaico e precisa entender se a transferência é a melhor escolha para o seu caso, agende uma consulta. Uma avaliação especializada pode oferecer clareza, segurança e direcionamento responsável para que essa decisão tão importante seja tomada com conhecimento e tranquilidade.
Escrito por Dra. Ludmila Bercaire
Especialista em Reprodução Humana SP
A Dra. Ludmila Bercaire é ginecologista, obstetra especialista em fertilidade. Possui mais de uma década de experiência em Reprodução Humana e Ginecologia e é Sócia Fundadora da Begin Clinic Medicina Reprodutiva. Formada pela Faculdade de Medicina UFRJ e com Mestrado pela Faculdade de Medicina da UNESP, hoje integra o corpo clínico dos melhores hospitais de São Paulo, como o Albert Einstein, e atua nos laboratórios de reprodução assistida mais modernos do país.
CRM: 145773-SP
RQE: 49731 (GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA)
RQE: 497311 (REPRODUÇÃO ASSISTIDA)
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6671796676034947
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