Fatores Imunológicos na Infertilidade: Quando Investigar
Qual é o papel do sistema imunológico na reprodução?
O sistema imunológico tem como principal função proteger o organismo contra agentes externos. No entanto, na reprodução humana, ele precisa exercer um papel delicado e paradoxal: permitir a implantação e o desenvolvimento de um embrião que não é geneticamente idêntico à mãe.
Para que a gravidez aconteça, é necessário um equilíbrio imunológico muito preciso. O organismo materno precisa reconhecer o embrião como algo “tolerável”, evitando respostas inflamatórias excessivas que poderiam impedir a implantação ou levar à perda gestacional precoce.
Quando esse equilíbrio falha, surgem as chamadas alterações imunológicas reprodutivas, que podem interferir tanto na fertilização quanto na implantação e na manutenção da gestação.
Infertilidade imunológica existe?
O termo “infertilidade imunológica” é amplamente utilizado, mas deve ser interpretado com cautela. A ciência reconhece que o sistema imunológico pode influenciar o sucesso reprodutivo, porém não existe uma única causa imunológica isolada que explique todos os casos de infertilidade.
Na prática clínica, os fatores imunológicos são considerados contribuintes possíveis em situações específicas, especialmente quando outras causas já foram investigadas e descartadas.
A imunologia reprodutiva deve ser abordada com responsabilidade, evitando diagnósticos simplistas ou tratamentos sem respaldo científico.
Quando investigar fatores imunológicos na infertilidade?
A investigação imunológica não deve ser feita de forma rotineira em todos os casais ou mulheres com dificuldade para engravidar. Ela é indicada em contextos bem definidos, nos quais há sinais de que o sistema imunológico possa estar interferindo no processo reprodutivo.
As principais situações em que essa investigação pode ser considerada incluem:
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Casos de falhas repetidas de implantação embrionária, especialmente após transferência de embriões de boa qualidade ou embriões geneticamente normais
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Histórico de perdas gestacionais de repetição, geralmente definidos como duas ou mais perdas gestacionais consecutivas
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Falhas repetidas de fertilização in vitro sem causa aparente
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Presença de doenças autoimunes conhecidas, como lúpus, síndrome antifosfolípide ou tireoidites autoimunes
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Endometriose moderada a grave, especialmente quando associada a inflamação persistente
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Suspeita clínica de alterações inflamatórias ou trombóticas associadas à infertilidade
Em mulheres tentando engravidar pela primeira vez ou em tentativas iniciais de FIV, a investigação imunológica geralmente não é necessária.
Principais fatores imunológicos relacionados à infertilidade
Diversos mecanismos imunológicos podem interferir na fertilidade, mas nem todos têm o mesmo peso clínico ou evidência científica.
Entre os mais estudados estão os distúrbios autoimunes, nos quais o próprio organismo produz anticorpos contra estruturas próprias, podendo interferir na implantação embrionária ou na formação da placenta.
A síndrome antifosfolípide, por exemplo, é uma condição bem estabelecida e associada a perdas gestacionais e complicações obstétricas, devendo sempre ser investigada em casos de falhas repetidas na evolução da gestação.
Alterações inflamatórias crônicas, como aquelas associadas à endometriose, também podem modificar o ambiente uterino, prejudicando a receptividade endometrial.
Além disso, há estudos sobre células imunológicas específicas do útero, como as células NK uterinas, mas a interpretação desses exames ainda é controversa e não deve ser feita de forma isolada.
Fatores imunológicos e falhas de FIV
Em casos de falhas repetidas de fertilização in vitro, especialmente quando embriões de boa qualidade não implantam, o papel do sistema imunológico pode ser considerado como parte de uma investigação mais ampla.
É fundamental entender que a falha de FIV raramente tem uma única causa. Geralmente, trata-se da soma de fatores embrionários, endometriais, hormonais, anatômicos e, em alguns casos, imunológicos.
Por isso, a avaliação deve ser integrada e individualizada, evitando a solicitação excessiva de exames que não mudam a conduta ou geram ansiedade desnecessária.
Exames imunológicos: quando eles realmente ajudam?
Nem todo exame disponível traz benefício real para a prática clínica. Muitos testes amplamente divulgados não têm comprovação científica suficiente para orientar decisões terapêuticas.
Exames imunológicos só devem ser solicitados quando houver indicação clínica clara e quando o resultado puder influenciar de forma objetiva a conduta médica.
A interpretação desses exames exige conhecimento específico em reprodução humana, para evitar diagnósticos equivocados e tratamentos potencialmente prejudiciais.
Tratamentos imunológicos: cautela é essencial
Da mesma forma que os exames, os tratamentos imunológicos devem ser utilizados com extrema cautela. O uso indiscriminado de medicamentos imunossupressores, anticoagulantes ou terapias sem evidência pode trazer riscos e não necessariamente aumentar as chances de gravidez.
A medicina reprodutiva moderna preza por condutas baseadas em evidências científicas, individualização do tratamento e respeito à segurança da paciente.
O impacto emocional da investigação imunológica
Quando uma mulher ou casal enfrenta falhas repetidas ou perdas gestacionais, é natural buscar explicações. A possibilidade de uma causa imunológica muitas vezes surge como uma tentativa de dar sentido à dor vivenciada.
Por isso, o acompanhamento deve ser não apenas técnico, mas também humano. A escuta, o esclarecimento e o acolhimento fazem parte do cuidado integral em reprodução humana.
A importância de uma avaliação especializada
A investigação dos fatores imunológicos na infertilidade deve ser conduzida por uma ginecologista especialista em fertilidade, com conhecimento aprofundado em reprodução humana e capacidade de integrar dados clínicos, laboratoriais e emocionais.
A Dra. Ludmila Bercaire é ginecologista especialista em fertilidade, com ampla experiência na investigação de falhas reprodutivas complexas, sempre pautada na medicina baseada em evidências e no cuidado individualizado. Realiza atendimento presencial em São Paulo – SP e também por telemedicina para pacientes de outras cidades do Brasil e do exterior. É fluente em inglês e francês e tem como diferencial o atendimento respeitoso, acolhedor e ético.
Se você enfrenta dificuldades para engravidar, falhas repetidas de FIV ou histórico de perdas gestacionais e deseja uma avaliação criteriosa e responsável sobre a necessidade de investigar fatores imunológicos, agende uma consulta com a Dra. Ludmila Bercaire e receba orientação especializada para conduzir sua jornada reprodutiva com ciência, empatia e segurança.
Escrito por Dra. Ludmila Bercaire
Especialista em Reprodução Humana SP
A Dra. Ludmila Bercaire é ginecologista, obstetra especialista em fertilidade. Possui mais de uma década de experiência em Reprodução Humana e Ginecologia e é Sócia Fundadora da Begin Clinic Medicina Reprodutiva. Formada pela Faculdade de Medicina UFRJ e com Mestrado pela Faculdade de Medicina da UNESP, hoje integra o corpo clínico dos melhores hospitais de São Paulo, como o Albert Einstein, e atua nos laboratórios de reprodução assistida mais modernos do país.
CRM: 145773-SP
RQE: 49731 (GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA)
RQE: 497311 (REPRODUÇÃO ASSISTIDA)
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6671796676034947
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